Paulo Bartolo

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Inserida em: 09/04/2010

HIGAOONA O MESTRE DA GOJU-RYU

Às 9:10h eu já estava no Budokan e aproveitei para ver uma aula de Kobudo , onde o sensei estava utilizando bastões, chamados “Bo” e o Sai que são aqueles garfos grandes. Eis que chega o grande Mestre Higaoona. Esse era o mestre mais esperado por mim no seminário. Mestre Morio Higaoona, ou Higashiona como alguns lhe chamam, instrutor chefe do estilo goju-ryu, pertence a linhagem direta de sensei Myagi. Já o tinha visto em vários filmes mas lá estava eu a poucos metros dele. Fiquei na 2ª fileira no centro, em frente ao mestre. Ele começou a aula com um aquecimento tradicional e logo iniciou um kihon. Passou-nos vários conceitos do estilo e logo passou a dar umas técnicas de defesa dois a dois. Vários ataques com uma complexa variedade de tipos de defesa. Torções, alavancas, imobilizações, um repertório muito grande deste mestre. Justamente aí, na aplicação de torções veio demonstrar comigo o jeito certo de fazer algumas imobilizações. Sua mão é muito forte e calejada e quando você entra na chave, você não consegue sair mais. Eu estava em estado de graça, além de fazer a aula do mestre lá estava eu treinando com ele. Eu e Mestre Higaoona frente a frente praticando Karate-Do juntos. Sua técnica é impressionante , de estatura baixa, se mexe com velocidade mas a sua defesa é muito forte. Quando eu o atacava com um tsuki sentia toda a vibração do seu corpo no braço que fazia a defesa. Mesmo assim, tenho certeza que ele usava apenas parte de sua energia para não me machucar. Após defender não deixava eu sair de perto e dizia que com “big people” , se referindo a mim, tem que utilizar todo o corpo para aplicar a técnica. Sua gentileza em atender-nos era impressionante e parecia que não combinava com o seu Karate-Do. Mas ele mesmo dizia que Goju significa forte e suave e tem que saber utilizar os dois caminhos. Para mim o seminário podia acabar ali, tamanha a satisfação que eu sentia naquele momento. Após falar sobre os katas , contou-nos histórias de Okinawa e Mestre Myagi, abrangendo a filosofia que o Karate-Do. Enfim, um passeio pelo Karate-Do de Okinawa. Autografou seu livro para mim convidando-nos a treinar em seu Dojo. O sonho tinha se tornado realidade.

O pessoal saiu para almoçar e eu fiquei direto sem almoçar no Dojo da Budokan,. Aproveitei quer estava sozinho e meditei. Agradeci a Deus a oportunidade de estar ali naquele momento. No Dojo vazio , em silêncio pleno, sentia a energia do local através de todas as pessoas que treinaram e lutaram no Budokan. É como se um filme passase em minhamente, pessoas de várias artes marciais praticando a sua modalidade. Eu estava no berço do Karate-Do, como um recém nascido, bem amparado e protegido no Budokan. É como eu fosse uma  criança e sentia aquela segurança na casa de meus pais. Um sentimento inexplicável tomou conta de mim, um misto de paz com uma energia muito forte. Atingi o “Sartori”., um estado de iluminação plena. Daqui para frente o meu Karate-Do não seria mais o mesmo. Comecei a entender melhor o verdadeiro Karate-Do!

Minha meditação foi interrompida pela chegada de Mestre Tuyosi Uechi, do estilo Isshin-ryu, que iria ministrar o último treino do Seminário. Ele me cumprimentou e perguntou onde estavam os outros e respondi que estavam chegando. Ele foi se trocar e logo começou a aula. Mestre Uechi é magro, tem 60 anos e é bastante flexível. Começou nos mostrando a técnica de soco do seu estilo que só aplica socos tipo vertical e suas defesas são feitas com a parte fina do braço. Foi um treino de difícil adaptação, mas ele fazendo sentíamos eficiência no que fazia. Mostrou-nos as várias técnicas de ataque e defesa e após o intervalo treinamos o kata Seishan que equivale na shotokan ao hangetsu. Com características bem peculiares observamos o bunkai do kata e encerramos o treinamento.

Após o intervalo fomos chamados para a cerimônia de entrega de certificado e encerramento. Tinham chegado para a solenidade os Mestres Isumu Arakaki, presidente da Rengokai Karate-Do de Okinawa, Zempo Shimabukuro e Minoru Higa. Após agradecerem a nossa participação deu-se a entrega de certificados. Enquanto chamavam os nomes , o meu foi o penúltimo a ser chamado, e veio em minha mente todo o sacrifício que fiz para estar neste seminário: deixei minha família por 15 dias sobrecarregando-a de afazeres, tive uma ajuda com um reforço financeiro de amigos e alunos que participaram de uma ação entre amigos para eu poder vir, minhas aulas que estão sendo dadas pelos meus alunos faixas pretas,  enfim toda a série de coisas que envolve uma grande viagem. Meus olhos ficaram molhados pelas lágrimas. Quando Mestre Arakaki chamou meu nome eu sabia que todo sacrifício tinha valido a pena.  Eu tinha sido uns dos 20 privilegiados que tinha passado uma semana em Okinawa treinando com alguns dos melhores mestres do mundo. Aprendi mesmo muita coisa em Okinawa. acompanhe amanhã a visita ao Castelo de Shuri , que é a capa do meu livro "Karate-Do História Geral e no Brasil".

 

Obs: na foto Mestre Morio Higaoona.

 


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